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domingo, 11 de janeiro de 2015

Vantagens e desvantagens da depilação com luz pulsada

Aplicação de luz pulsada
Na busca pelo método de depilação mais eficaz e menos doloroso, a luz intensa pulsada aparece como alternativa para quem quer se livrar definitivamente dos pelos indesejáveis. A única advertência é escolher bem o profissional para evitar efeitos colaterais irreversíveis, como pelos finos que são impossíveis de eliminar, manchas e até cicatrizes. Se você ainda está na dúvida sobre a técnica ideal, conheça as vantagens e as desvantagens deste tratamento e os cuidados básicos para garantir um resultado satisfatório.

Assim como o laser, a luz pulsada é atraída pelo pigmento que dá cor ao pelo, liberando um calor localizado e super rápido que provoca a destruição parcial ou total do pelo. “Normalmente, o que ocorre é miniaturização do pelo após cada sessão, ou seja, ele fica tão fino que não é visível a olho nu. Quanto mais preto e grosso, maior a chance de ser destruído em poucas sessões. Já o pelo de cor intermediária requer múltiplas sessões”, explica a dermatologista Valéria Campos.

A principal vantagem do método, segundo a médica, é que este tipo de depilação pode ser definitivo se a pessoa não tiver nenhum desequilíbrio hormonal. “Ao contrário da fotodepilação, a depilação com luz intensa pulsada bem feita é definitiva. Porém, em algumas áreas sujeitas a alteração hormonal, novos pelos podem aparecer. Isso ocorre mais em mulheres e muito raramente em homens”, assegura.

Outro ponto positivo é que o aparelho é seguro e pode ser usado em qualquer região do corpo. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Valéria garante que a técnica é efetiva até em áreas onde foi feito transplante de cabelo. “Se o resultado não foi satisfatório, pode ser tratado. Lembrando que as áreas de pelos pretos e grossos, como virilha e barba masculina, respondem melhor”.

O custo-benefício também conta na hora de escolher este método. A média de cada sessão na axila é de R$ 200, mas o preço varia de acordo com a região do corpo. “Como a técnica é geralmente definitiva, a longo prazo se torna econômico, principalmente se levarmos em conta o tempo e o dinheiro que se gasta fazendo depilação (com cera, por exemplo)”, aponta a especialista, ao alertar: “desconfie de valores muito baixos”.

Na lista de benefícios, a dermatologista ressalta que os novos equipamentos disponíveis no mercado garantem um tratamento menos doloroso. “Quando comparado com os lasers, em geral, a luz intensa pulsada é menos dolorida. Além disso, há mecanismos para diminuir a dor como vento de ar frio, anestésicos e sucção. Porém é preciso atenção a aparelhos que não provocam dor, mas não foram feitos para remoção definitiva dos pelos, alguns foram projetados para serem usados em spas não médicos e até em casa”, observa.



Os aparelhos comercializados para depilação com luz pulsada em casa, os chamados home devices, não são indicados pela médica porque provocam apenas uma queda provisória de pelos, além de não terem óculos de proteção, o que pode causar problemas definitivos na visão. “Meus pacientes que usaram este tipo de equipamento ficaram com pelos finos e longos, que, infelizmente, são impossíveis de eliminar em caráter definitivo”.

Desvantagens
A luz intensa pulsada tem afinidade pela melanina, o pigmento que dá cor à pele. Isso significa que pessoas negras ou bronzeadas devem ser tratadas com muito cuidado e nem todos os equipamentos são adequados para as peles escuras. Outra desvantagem é que o método, assim como o laser, não é efetivo em pelos claros ou ruivos. “A pele bronzeada é mais difícil de tratar do que a pele morena. Já os pelos ruivos dificilmente são eliminados, neste caso, indico um teste para evitar decepções posteriores”, orienta Valéria.

Escolher uma boa clínica e um profissional experiente faz toda a diferença, já que a técnica pode provocar efeitos colaterais como manchas temporárias ou, raramente, cicatrizes definitivas. Outro problema frequente é o aumento dos pelos causados pelo uso de energias baixas. “Além de serem insuficientes para destruir o pelo, (a energia baixa) ainda estimula as células troncos presentes nos folículos pilosos. Isso provoca o aumento dos pelos nas áreas tratadas”, esclarece a especialista.

Segundo a médica, outro ponto negativo é o afinamento dos pelos que pode ocorrer se a descarga de energia for inadequada. “Quando tratado com doses adequadas, o pelo desaparece, mas se a energia é fraca, o pelo apenas afina. E quanto mais fino o pelo, mais difícil será a resposta (a técnicas como o laser ou a luz pulsada). Portanto, este tratamento inadequado impede que o pelo desapareça mesmo quando tratado com um método correto”.

Passo a passo
O primeiro passo para quem deseja se submeter ao tratamento é realizar uma avaliação médica para identificar quantas sessões serão necessárias. A média do número de sessões deve ficar próxima de cinco, segundo a dermatologista. É importante ficar atento às clinicas que oferecem pacotes muito baratos. “No final você tem de fazer inúmeras sessões e além de não resolver, pode até piorar”.

O tipo de aparelho – há equipamentos capazes de remover os pelos mais rapidamente – e o profissional podem interferir na periodicidade do tratamento. “Os mais experientes se sentem mais seguros em usar energias mais potentes”, afirma Valéria.

Para quem está disposto a investir na depilação com luz pulsada, a indicação da especialista é evitar o sol, quanto mais escura a pele, mais dolorido será, além de ser menos eficiente e ter mais riscos de queimaduras. “No período que antecede o procedimento, o filtro solar diário é indicado nas áreas expostas que vão ser tratadas por, no mínimo, 30 dias. Caso a pele esteja bronzeada, o uso de cremes clareadores pode ser benéfico”.

Antes do procedimento, o ideal é que a pessoa evite o sol na face durante os 30 dias anteriores, na perna, 45 dias antes. Após a sessão, a pele pode ser exposta depois de três dias, se não houver lesão. É importante ressaltar que as regiões onde o pelo é mais grosso e escuro podem ficar irritadas e vermelhas por alguns dias. Neste caso, a recomendação é sempre usar uma solução calmante no local. Pronto! Se todas as regras forem respeitadas, não há com o que se preocupar, o resultado será efetivo e a sua depilação estará sempre em dia.

Depilação em pele com acne: restrições e alternativas

Cortes provocados por lâminas aumentam riscos de infecções e cicatrizes que necessitam de cirurgia; laser é o método mais indicado

 

Áreas com feridas não devem ser submetidas a tratamentos de remoção de pelo (Foto: Getty Images)
Quem sofre com acne sabe das dificuldades na hora da depilação. Sem paciência, principalmente os adolescentes, apelam ao método mais rápido para se livrar de dois incômodos provocados pela alteração hormonal nesta idade: as espinhas e os pelos. Isso, claro, sem saber os riscos que enfrentam quando decidem encarar a lâmina. Inflamações, manchas e cicatrizes podem marcar o rosto durante toda a vida. Para evitar complicações, algumas restrições devem ser respeitadas.

Segundo alerta da médica Flávia Ravelli, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, há algumas advertências na hora de depilar as regiões com acne. Dependendo da gravidade da inflamação, o recomendado é suspender a depilação. Sim, por pior que seja conviver com uma barba cheia de falhas, o mais indicado é não maltratar a pele. “As áreas com muitas lesões ou feridas não devem ser submetidas a tratamentos de remoção de pelo, com lâmina, cera ou laser”.

Uma orientação ignorada pelo estudante Rafael Medeiros, que aos 15 anos começou a passar a lâmina no rosto cheio de espinhas. Agora, com 17 anos, ele se submete a tratamento para eliminar manchas e cicatrizes da face. “É uma idade difícil de controlar. Na ansiedade se livrar das espinhas, ele acabava cortando demais o rosto. Agora, temos de ter calma para tentar reverter a situação”, conta a mãe, Cícera dos Santos Medeiros.

A impaciência para tratar a pele com acne na adolescência pode gerar sérios problemas na vida adulta. Além das cicatrizes, muitas vezes formando as chamadas queloides (lesões salientes e avermelhadas), e das manchas escuras e difíceis de tratar, passar a lâmina na região com espinhas ou foliculite (inflamação do folículo capilar) pode provocar feridas abertas que infeccionam facilmente, abrindo caminho para várias doenças.

“A pele infeccionada pode gerar abscessos (acumulo de pus causado por infecção bacteriana) e celulite (infecção muito grave da gordura da pele) que, em alguns casos, necessitam de tratamento cirúrgico”, reforça a dermatologista.

Cirurgia ainda não é o caso do adolescente Rafael que está tratando a pele com produtos manipulados e suspendeu o uso da lâmina temporariamente. Tudo para evitar as feridas abertas que, segundo a médica, “também são porta de entrada para vírus como o herpes e outros fungos”.

O método mais indicado
As pessoas que possuem acne sofrem com a chamada síndrome da oclusão folicular, explica Flávia Ravelli. Segundo a especialista, este tipo de pele apresenta excesso de células mortas ao redor do pelo que dificultam a saída do sebo produzido. “Isso faz com que ele fique retido na pele, inflame e seja colonizado por bactérias, formando a acne”, esclarece.





O método de depilação mais indicado para quem convive com a acne ou foliculite é o laser, que reduz drasticamente a quantidade de pelos no corpo. De acordo com a médica, a ausência dos pelos impede a inflamação da unidade pilo-sebácea (pelo e glândula sebácea).

Mas antes de se submeter ao procedimento é preciso passar por avaliação de um profissional. “Se feito, deve ser orientado e acompanhado por um médico para diagnosticar precocemente e tratar adequadamente as possíveis complicações”, recomenda a dermatologista.

Como tratar a acne
A acne é mais comum no rosto, tronco e dorso, porém, a foliculite, que possui mecanismo de formação semelhantes ao da espinha, também é comum em regiões como muito pelo, como axila, virilha e nádega. O tratamento para ambos os tipos de infecções depende da gravidade.

“No caso da acne não utilizamos sabonetes que controlam a oleosidade, esfoliantes para remover as células mortas que se acumulam ao redor do pelo e agentes que reduzem a secreção sebácea e aumentam a ‘troca da pele’, a renovação celular”, explica a especialista. Há casos específicos que necessitam de substâncias que agem contra a bactéria que infecta o pelo, como antibióticos tanto de uso tópico quanto sistêmico.

Um alerta importante às mulheres com acne grave: “elas podem necessitar de investigação hormonal”, aponta a médica. “Em alguns casos, o uso de contraceptivos orais auxilia no controle da acne”. Independentemente da gravidade ou da área mais afetada pela acne, é importante procurar um profissional para indicar o tratamento mais adequado. Só assim será possível sofrer menos com o processo de depilação.