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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Ronca alto? Saiba se o seu está entre os mais graves

Especialista explica quais tipos de ronco precisam de mais cuidados, alguns podem causar até um AVC 


Quando Guilherme dos Santos viu sua esposa classificar seu ronco como um barulho de caminhão, o fotógrafo se sentiu extremamente constrangido e intrigado. “Me peguei pensando se todo ronco deveria ser assim ou se o meu estava alto demais e, por isso, poderia significar algo mais sério”. A dúvida de Guilherme é bem pertinente, pois o ronco mais barulhento é um dos três tipos que existem e é o mais perigoso. 

Após procurar ajuda, Guilherme percebeu que apresentava alguns dos hábitos ou características que podem ser a causa de um ronco tão alto e perigoso como o que sua esposa citou. “Sou homem, estou acima do peso, tenho bebido mais que o normal, durmo de barriga para cima e estou com 35 anos. Certamente terei que mudar algumas coisas para voltar a dar paz para a minha mulher a noite”, diz o fotógrafo. 
“Perder peso pode ser uma boa opção, embora nem sempre seja eficaz por não ser a única causa. Mas o paciente também pode tentar mudar a posição que costuma dormir, evitando ser com as costas para baixo (uma vez que observa-se que as apneias só acontecem nessa posição), diminuir a quantidade de álcool e tabaco, tratar possíveis renites alérgicas ou ainda usar um aparelho durante a noite que puxa a mandíbula e a base da língua para frente, aumentando o espaço aéreo na hipofaringe (parte baixa da faringe, atrás da língua)”, diz Leonardo Tribis, cirurgião-dentista do Hospital Albert Einstein. 
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Apneia e ronco
A apneia do sono é a obstrução das vias aéreas causada pela flacidez dos tecidos da garganta, o que impede a respiração por alguns segundos, várias vezes por noite. Eo ronco é a vibração dos tecidos da garganta quando o ar passa. Leonardo explica que a apneia do sono pode ser classificada de três formas: obstrutiva, central e mista. 
As obstrutivas, que podem ser o caso de Guilherme, são as mais barulhentas e perigosas. Causam muitas paradas respiratórias (apneias) por hora e é preciso fazer um esforço demasiado para conseguir respirar normalmente. As apneias centrais são as mais fracas e não apresentam esforços respiratórios durante a crise, produzem um “ronco mais baixo” ou até inexistente. As mistas, como o próprio nome diz, ocorrem quando os dois tipos de apneia podem ser percebidos durante uma noite de sono. 
De todas elas, são as obstrutivas graves que precisam de maior atenção, pois essas paradas respiratórias podem gerar verdadeiros engasgos e problemas muitos mais sérios para a saúde do paciente. “Elas podem ser um sinal de alerta para arritmias ou até mesmo desencadear acidente vascular cerebral (AVC) quando associadas a outros fatores como obesidade, sedentarismo, álcool, tabaco, entre outros”, diz o especialista. 


O único método de diagnóstico conhecido é a polissonografia, que mede o número total desses eventos de apneia por hora. Os resultados são analisados com base em uma escala que classifica a gravidade do caso. “Se a apneia acontece de 5 a 15 vezes por hora ela é considerada leve. De 15 a 30, moderada. E mais de 30 por hora é um caso mais grave”, diz Leonardo. 
Dentista e seu papel fundamental
A apneia é um problema multifatorial e tem como causa fatores anatômicos ou funcionais que, por algum motivo, comprometem a livre passagem de ar pela garganta durante o sono. E, por estar em contato o tempo todo com a cavidade bucal do paciente, o dentista é uma peça fundamental para reconhecer e até, em alguns casos, auxiliar no tratamento de problemas como garganta estreita, língua grande demais, amídalas e adenoides hipertrofiadas, etc. 
Entre outros fatores que predispõe o ronco estão o sexo (o ronco é duas vezes mais comum em homens), o aumento da idade (também é mais comum em pessoas com mais de 35 anos), o aumento do peso, alguns hábitos como o fumo, a consumo de drogas e álcool e ter uma circunferência do pescoço maior que 40 centímetros. 

 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Comer menos pode melhorar a qualidade do seu sono

Você provavelmente já sabia que uma dieta de calorias reduzidas pode trazer muitos benefícios à sua saúde, não é mesmo? Mas será que você imaginava que isso poderia ter relação até mesmo com a qualidade do seu sono?
Uma pesquisa feita recentemente pelo Laboratório de Patologia Clínica e Experimental da Universidade Estadual do Rio de Janeiro concluiu que ingerir quantidades menores de calorias pode ser benéfico para quem sofre com apneia obstrutiva do sono, um problema que afeta muitas pessoas, principalmente as que são obesas.

O que é?


A apneia é a interrupção da respiração, o que ocorre quando uma via respiratória acaba sendo bloqueada abruptamente. Isso diminui a qualidade do sono, fazendo com que a pessoa acorde cansada. A apneia também causa roncos fortes e está relacionada a outras doenças, como arritmia cardíaca, acidentes vasculares cerebrais – os “derrames” – aumento da pressão arterial.
A nutricionista Julia Freitas resolveu elaborar seu projeto de mestrado com base em uma pesquisa que relaciona a adoção de uma dieta menos calórica à redução da apneia. A conclusão dos estudos de Julia foi apresentada no encontro científico da American Heart Association, em San Francisco, nos EUA.
Julia articulou suas pesquisas com base em outros estudos que já afirmavam que a apneia poderia ser solucionada com a redução de peso, seja por meio da cirurgia bariátrica ou da restrição de calorias e da prática de atividades físicas. Em seu trabalho, porém, ela conseguiu provar essas teorias, pela primeira vez.

Pesquisa


"Submetemos os pacientes à restrição de calorias que é recomendada pelas diretrizes internacionais atuais para controle da obesidade. Essa restrição moderada leva à diminuição de 5% a 10% do peso inicial da pessoa", explicou. "Queríamos saber se, com uma redução calórica dessa ordem, o paciente já teria uma melhora na apneia obstrutiva do sono", disse a nutricionista em declaração publicada na Info.
Os testes feitos com o acompanhamento de Julia envolveram 21 pessoas obesas com histórico de apneia do sono. Eles passaram 16 semanas em observação, sendo que um dos grupos foi submetido a uma dieta de 800 calorias diárias, enquanto o outro grupo manteve sua dieta normal. Os pacientes que reduziram o valor calórico tiveram menos interrupções na respiração enquanto dormiam. Além disso, a pressão arterial dessas pessoas ficou mais baixa e eles perderam peso.
De acordo com Julia, os pacientes perderam, em média, 5,5 kg com a redução de calorias por 16 semanas. "A principal mensagem do estudo é que não é preciso ser radical: uma pequena redução no peso corporal pode levar a uma melhora na apneia obstrutiva do sono", disse a nutricionista.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Ler antes de dormir melhora o sono e diminui o estresse

Ler alivia as tensões musculares e diminui o ritmo cardíaco, dependendo do título escolhido, é claro
  •  Ler alivia as tensões musculares e diminui o ritmo cardíaco, dependendo do título escolhido, é claro
    você tem dificuldade de se desligar dos problemas e, por isso, demora a pegar no sono? Ou costuma ter noites agitadas e, mesmo depois de passar um bom tempo na cama, acorda cansado? Pois é bem possível que, ao adotar o hábito de ler, um pouco antes de dormir, você consiga relaxar mais. Pelo menos é o que diz uma pesquisa da Universidade de Sussex, no Reino Unido, realizada em 2009.

O levantamento mostrou que ler é uma estratégia mais eficaz, para diminuir o estresse, do que ouvir música ou caminhar. Durante o estudo, os voluntários chegaram a amenizar em 68% o nível de tensão ao folhear um livro por alguns minutos. A justificativa dos pesquisadores para os resultados encontrados é a de que, ao acompanhar uma história, nos desligamos, temporariamente da nossa realidade. Ocorre um alívio das tensões musculares e uma diminuição significativa no ritmo dos batimentos cardíacos.
A psicóloga Lucia Novaes, professora do Instituto de Psicologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), confirma que, na prática, esses benefícios também podem ser notados. "A experiência clínica demonstra que a leitura pode funcionar como estratégia de controle do estresse. Se for feita poucos minutos antes de irmos para a cama, também contribui para um sono melhor", diz.
Porém, para que o livro seja capaz de proporcionar todos esses benefícios, é preciso que o assunto e o gênero despertem uma sensação de bem-estar em quem está acompanhando a história.

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"ANTES DO BAILE VERDE", DE LYGIA FAGUNDES TELLES (EDITORA COMPANHIA DAS LETRAS): conflitos amorosos, tensão entre o desejo e a consciência moral e a infidelidade conjugal são alguns dos temas presentes nesses 18 contos escritos pela autora entre 1949 e 1969. O olhar crítico e solidário de Lygia examina os mais diversos comportamentos humanos. R$ 37, na Americanas.com (www.americanas.com.br) Divulgação

"Essa é uma questão muito individual, que depende do gosto e do estado emocional do leitor. Mas, de maneira geral, indicamos que, antes de dormir, sejam evitados os livros cujo enredo deixe o leitor em estado de alerta", diz a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da ISMA-BR (International Stress Management Association no Brasil). Ou seja, nada de livros de suspense, ação, despertem medo, angústia ou outros sentimentos ruins. Histórias desse tipo podem provocar o efeito contrário ao desejado.
Em contrapartida, boas sugestões de leitura na cama são os livros de contos, poesias e os romances, porque não deixam o leitor ansioso para saber o que acontecerá no próximo capítulo. A literatura de humor também funciona. "Aquele livro que provoca um sorriso vai ser muito saudável por promover a liberação de endorfina, o hormônio do bem-estar, que reduz a tensão muscular, baixa a frequência cardíaca e leva a atividade mental para uma onda mais baixa", afirma Ana Maria.
Da mesma forma, leituras ligadas à religião praticada pelo leitor, assim como revistas sobre temas mais amenos, também podem provocar o relaxamento. E como a ideia é induzir ao sono, o ideal é ler no papel, e não em tablets, smartphones ou no computador.

"A melatonina, o hormônio regulador do sono, só é liberado quando o ambiente está mais escurinho, iluminado por um abajur, por exemplo. A luz dos equipamentos eletrônicos pode dificultar a produção dessa substância", diz a psicóloga Denise Pará Diniz, coordenadora do setor de gerenciamento de estresse e qualidade de vida da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
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"Incidente em Antares", de Erico Verissimo (Companhia das Letras): a história acontece no ano de 1963, quando os coveiros da cidade de Antares entram em greve e se negam a preparar enterros, para pressionar os patrões. Só que, enquanto não recebem o tratamento devido, os defuntos que morreram após a greve passam a bisbilhotar a vida dos moradores, parentes e amigos e descobrem os segredos de uma sociedade que vive de aparências | Consultoria: Amélia Bampi, psicopedagoga e coordenadora da área de educação da Fundação Abrinq e Marisa Balthasar Soares, professora e consultora do Instituto Ayrton Senna Leia mais Divulgação

Ambiente favorável

Para que o relaxamento proporcionado pela leitura seja efetivamente sentido, e perdure, é importante que o ambiente em que se pratica o hobby seja tranquilo, propício para a concentração. Já a posição para a leitura não importa e deve ser escolhida de acordo com a sensação de conforto que proporciona a quem está com o livro em mãos. "Para pessoas que têm insônia, o mais indicado é ler fora da cama, em uma poltrona ao lado, por exemplo. E só ir para a cama quando o sono vier", explica Lucia.
O ambiente interno também precisa ajudar. "Não importa o quanto o livro é relaxante. Se você não consegue se desligar e fica preso a pensamentos que geram tensão, será impossível descansar", afirma Denise. Assim, durante a leitura, é preciso evitar a tentação de resolver problemas mentalmente. É imprescindível se concentrar no texto para poder tirar proveito do hábito.
E os especialistas afirmam que mesmo quem não tem o costume de ler pode se beneficiar com a prática, se estiver realmente disposto a mudar um pouco a rotina. "É possível que, com o tempo e com as obras apropriadas, o iniciante transforme a leitura em hobby e passe a aproveitar cada vez mais esse hábito, que é bastante saudável", diz a psicóloga Lucia Novaes.